quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Cada uma no seu quadrado

Antes do surgimento de questionamentos quanto a que ponto de vista analiso os fatos, qual seria minha formação religiosa e como enxergo a relação ciência e religião, explico: Não sou hipócrita em dizer que analiso tudo com imparcialidade e que pugno apenas pela verdade. Não. Analiso e interpreto os fatos a partir do meu ponto de vista, e todos fazem isso, consciente ou inconcientemente.

Tenho formação cristã, embora sempre acreditei que o que eu sabia e era me ensinado pela igreja não eram tudo, ou seja, nunca tive a visão de que a minha "verdade" era "mais verdadeira" que a do vizinho; sempre busquei harmonizar conhecimentos religiosos. Lembro-me de uma frase que disse, em minha adolescência: "Possivelmente Deus, em sua infinita sabedoria e consciente da diversidade do pensamento humano, tenha criado diversos caminhos religiosos para os seres humanos."
E é nesse espírito de harmonização que penso a relação ciência e religião. Não há conflitos, e não devem haver. Não acredito ser herético duvidar da historicidade dos fatos narrados na Bíblia, nem penso ser anacrônico defender que determinadas condutas são pecaminosas. Inexiste conflito por tais discursos ocorrerem em campos distintos. Refiro-me ao método religioso e ao método ciêntífico.
Não é crível transportar os postulados científicos para pensamento religioso, e vice-versa. Considerar escritos religiosos como textos científicos é tão absurdo quanto afirmar que o manual de instruções de um equipamento de laboratório foi revelado por uma entidade divina... E, percebam, normalmente quando essa transposição é feita, chega-se a conclusões absurdas, pois pode-se chegar a quaisquer decisões, já que você pode fundamentar de qualquer maneira sua conclusão.

Sinceramente, algumas afirmações religio-científicas me divertem, algumas me irritam. A posição tanto de religiosos que querem queimar os cientistas, quanto de destes que visam incinerar aqueles, e se aventuram no desconhecido a atacar o outro, com argumentos dos mais estapafúrdios, além de prejudicial ao desenvolvimento de ambos, é estéril.

Defendo, sim, a harmonia entre as partes, mas cada qual em seu campo. Acredito no diálogo entre ciência e religião. No entanto, os "dialogadores" devem respeitar a posição do outro, sem recorrer ao inútil proselismo de ambas as partes. É preciso reconhecer a religião para nossas vidas: ainda que você não seja um religioso, tem que admitir que nossa sociedade é altamente influenciada por sistemas religiosos que se sobressaíram aos demais. Também é indubitável a contribuição científica, ainda mais em dias em que a tecnologia supera nossa capacidade de utilizá-la (se você tentar ter todos os últimos lançamentos tecnológicos de todas as áreas, creio que ficará mais tempo aprendendo a utilizá-los do que os utilizando efetivamente).

Em suma, e recorrendo a palavra que utilizei no início, acredito na harmonização entre ciência e religião, desde que ambas deixem de lado o espiríto de oposição e passem a se enxergarem como complementares, cada uma no seu quadrado, como ensina a música popular.


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